
Como já dissemos o Estatuto é fundamental para resgatar injustiças históricas. Uma das ações mais importantes é o sistema de cotas. Dados de 2007 apontam que até aquela época, o mecanismo já havia garantido o acesso a 40 mil pessoas em 12 das principais universidades federais e estaduais do país. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) destaca-se por estar na vanguarda desse processo.
É um avanço, talvez um grande avanço, mas ainda é fundamental mobilizar. E é um trabalho longo e que deve ser feito também a partir de nossas casas. A recente eleição, que culminou com a vitória de Dilma Rousseff, mostrou como uma parcela grande do Brasil ainda tem preconceitos dos mais variados. O caso da estudante de direito que culpou os nordestinos foi só um dos casos.
A imagem do de Zumbi dos Palmares foi escolhida para celebrar a data. Uma homenagem justa ao homem que, antes mesmo da abolição da escravatura , pregava a igualdade de direitos. A discussão sobre essa maneira de fazer justiça é só uma delas. Os negros, afrodescendentes merecem ter espaço na sociedade. Nas grandes empresas, nas universidades, na televisão, na publicidade, porque na verdade, na verdade somos todos iguais.
Quando ressalto que somos todos iguais não está relacionado apenas à questão constitucional. Vai além. Também quando nos manifestamos contra o preconceito racial, o sentimento também está relacionado questões sexuais, religiosas e tantas outras que nos fazem reagir de maneira agressiva e violenta ao que julgamos diferentes.
Muito justas as comemorações referentes a um dos maiores líderes negros da história do Brasil. Mas que a data seja mais um mecanismo para nossa reflexão diária diante nossos semelhantes e tão distintos ao mesmo tempo. Que a consciência negra se expanda, de maneira que um dia possamos celebrar o Dia da Consciência Humana. Enquanto esse dia não chega, celebramos, pois, nossos irmãos que ajudaram a construir um Brasil forte, corajoso, diverso, colorido e único.